terça-feira

Isto de ser mãe

Sempre fui daquelas miúdas irritantes que dizia "Não quero ter filhos!".
Se calhar ao início fazia para irritar. Para mostrar que era adolescentemente diferente. E acho que me convenci disso.

Ou pelo menos não tinha nada que me fizesse querer dizer o contrário. Por egoísmo. Por não querer mudar nada. Por estar bem como estava. Não queria.

Mas quando o homem que escolhi para ficar ao meu lado queria ter filhos. Queria muito. E a coisa mudou. E se queria ficar com ele tinha que ceder.

E cedi.
Ou melhor, segui o percurso normal das coisas.

E o que eu quero dizer com tudo isto é que tudo custa mais quando não temos aquelas visão romântica da maternidade. As sequelas. A privação de sono. A cedência do nosso tempo. As birras.

Nas fases negras (que existem, oh se existem!) arrancam-nos "eu nunca pedi isto!".

Mas depois tudo muda.
Fica mais calmo.
O ser que só estava dependente de nós agora mima-nos. Quase que toma conta de nós só com um sorriso ou um carinho. Ganhamos um parceiro/a. Ganhamos novos gostos. Novos horários. Novos programas.

E deixar de ir a um jantar com amigos porque a babá não pode ficar, custa. Mas ir ao parquinho com ele vale por 3 jantares. 4!

E é assim: 2 anos depois não trocava nada. Acredito que evitava muito dos baby blues se quisesse mais ser mãe. Mas não queria. Paciência.
A evolução é igual.

Estou mais do que apaixonada pela minha família. E ganhei um amor novo, maior do que tudo o que já tinha conhecido.

Ganhei a minha visão romântica da maternidade.

PS - mas minha gente, falam-me em dar um irmão ao Gui e a minha resposta é "não não e não". Gosto disto assim. Não distabiliza, ya?!

Então porque é que ficas?

Tive um curto circuito em casa. Saldo: parede da cozinha preta, metade das tomadas electricas inactivas com microondas no quarto, frigo na cozinha e sem maquina de lavar a roupa. Ou seja, ando com uns bracinhos jeitosos à conta de lavar a roupa à mao.

O gerador está sem bateria. Por isso, quando falta a luz se não o ligamos em milesimos de segundo... ficamos mesmo sem luz.

A Strada roeu o fio da bomba de agua. Não, não morreu. Ficámos mesmo sem água.

Fazer planos semanais de comida é uma comédia. Porque da lista de supermercado faltam sempre coisas básicas como natas (há semanas que não encontro natas!!!), leite, carne branca, etc, etc... Ontem nem farinha nem ovos!
A missao de despachar as compraa do mês numa ida é impossivel e tenho que andar sempre de supermercado em supermercado para ter... coisas básicas!

Temos 2 carros parados porque não há cá as peças para eles. Sim podemos mandar vir, mas o transporte das peças fica tão caro que mais vale comprar um carro novo.

Temos um terceiro carro parado porque nenhum mecânico consegue perceber o que ele tem. Há um mecânico em Benguela que tem fama de ser bom mas... reboque para benguela vai dar ao mesmo do que "comprar carro novo".

A minha televisao deixou de dar. Assim! Puff! De repente aparece tudo codificado. Diz o expert do meu marido que é da box. Liguei à TVCabo e dizem que em 36 horas um técnico vai aparecer. Cheira-me que vou ter uma novela com este problema...

E é assim a nossa vida em Luanda.

Juntando que não me faz um stress não ter condições para ir passear, andar, espairecer.... fica tudo um bocadinho mais difícil.

E perguntam muitos "Então porque é que ficas?"

Há dias que não sei...

domingo

Há 2 anos

Há 2 anos estava internada no hospital.
Há 2 anos era muito mais imatura e egoista.
Há 2 anos tinha a visita diária da minha avó.
Há 2 anos a minha irmã do meio estava mais desligada. Como eu gosto das coisas como estão agora...
Há 2 anos a minha irmã mais velha tinha uma bebé com 2 meses e toda uma experiência para me passar.
Há 2 anos atrás a minha melhor amiga estava tão grávida quanto eu e era fantástico partilhar as experiências.
Há 2 anos estava ansiosa por não saber o que me esperava.
Há 2 anos foi a última noite que dormi seguida e descansada.

Porque mesmo com as ansiedades normais eu dormia descansada. Mesmo sabendo que não tinha nada preparado para a sua chegada, nada comprado, nem o quarto equipado... eu dormia bem descansada.

Há 2 anos atrás foi o último dia em que me conheci não sendo mãe.

sábado

Nova fase

4:00 da manhã.
Buááááááááá...
Sintonizo-me na frequência "tens que te levantar".
Levanto-me.
Tento abrir os olhos.
Chego ao berço.

Buááááá... áuuuua! Áuuua!!!

E dentro do meu cérebro oiço como se fosse coro de igreja "Aleluia, Aleluia, Aleluia!!!!"


Dei-lhe água.
Pegou na chupeta.
Deitou-se de costas para mim e assim ficou.

Chegámos à fase do "já começa a dizer o que quer".

Por isso é que devemos ter logo os bebés seguidos! Como é que eu agora vou querer voltar ao Buááááá indecifrável?!?!?! Não quero! Não vou!

quarta-feira

Adoptar animais de estimação.

O Brick não liga a ninguém. Não se roça em ninguém. Só pensa em dormir, afiar as unhas no meu sofá e saltar o muro.

A Strada roi tudo. TUDO. Roeu os tubos da bomba de água. Roeu a ficha eléctrica. Roeu os farolins dos carros. Roeu o tapete de entrada. Roeu a casota dela. Roeu 4 chupetas do Gui. Roeu e roi tudo o que apanha. Só sabe saltar para cima dos convidados e mal sais de casa se não fazes uma festinha suja-te logo a roupa.

O Kent não deixa que ninguém lhe dê banho. Rosna, morde, ataca. Ninguém lhe pode mostrar água que ele entra em stress. O Kent não quer saber de ninguém. O Kent ladra sempre que alguém passa ou ouve um barulho na rua. Ou seja... constantemente.

A Bé tem uma pata ferida que nunca mais vai conseguir pôr no chão. Tem um problema de pele que só surge quando compramos ração... barata. Por isso, a Bé, cadela de rua encontrada com os ossos a sair pela pele só come Royal Canin. E a Bé não pode ver ninguém desconhecido que ataca. Ataca mesmo. Todas as nossas visitas já tiveram um incidente com a Bé.

O Gucci ladra. Muito. Quando vê uma vassoura. Quando vê o aspirador. Quando o bebé toca flauta. Quando enchemos um balão. Quando alguém bate à porta. Quando o vizinho fala. Quando o guarda assobia. Está sempre em stress e já nem sei quantas vezes acordou o bebé.

O Roy é um senhor. Não liga a ninguém e nunca quer ser incomodado. Ganhou espaço na almofada onde eu durmo. Tirá-lo de lá é mentira. A meio da noite, quando me levanto por causa do Gui, quando volto para a cama...  lá está o Roy. E tirá-lo?! Ou isso ou enrola-se no meu pescoço e ficamos os dois a morrer de calorrrrrrr. Mas a carinha dele... uma infelicidade quando não o deixamos fazer o que quer. Um mimado!!!!

O Jeremias, o nosso primeiro! Era independente e não dava trabalho nenhum. Até ser atacado e ficar com uma hemiplegia. Temos que lhe dar comida à boca. Todos osdias. Isto quando não desaparece um dia inteiro e à noite lá começa a miar para lhe irem dar comida.

Todos nos dão dores de cabeça. Cada um à sua maneira. Mas amo todos muito muito muito.

O Brick não liga a ninguém, MAS quando o Gui se agarra a ele (e um bebé a agarrar um gato é coisa para se fugir!!!) fica quietinho, e deixa-o fazer tudo. Até fecha os olhos quando lhe dá beijinhos.

A Strada arrasta o Gui sempre que lhe puxa a cauda na brincadeira. Ele adora e farta-se de rir com ela.

O Kent quando me vê salta. Salta! Dos poucos momentos que o vejo feliz. E quando lhe abro a porta ele sai disparado, mas se vê o bebé avança com imenso cuidado.

A Bé... não tenho palavras para descrever o que sinto pela Bé. Vi a Bé pela primeira vez estava gravidissima e com as hormonas em alta. E a Bé na rua, com a sua pata para cima, com uma ferida infectada, a procurar um sitio calmo onde não a maltratassem. Desde aí foi amor incondicional. A Bé chora quando lhe dou festinhas. A Bé chora quando a pego ao colo, quando me sento junto a ela. Chora de alegria. Com a cauda a abanar devagarinho com muita calma para aproveitar todos os momentos desta nova vida. E sinto que tem o mesmo carinho com o Gui. O mesmo cuidado. E sobretudo muita paciência.

O Gucci é muito dedicado. Se alguém grita, se alguém ameaça, é o meu (e do bebé) principal defensor. Está sempre à procura de contacto e é a melhor companhia de sempre!

O Roy... o Roy foi o mais mimado de todos. Ia connosco para todo o lado. Até em restaurantes se sentou ao nosso lado. É o mais mimoso.

E o Jeremias... é o primeiro. O gato que não é gato. O gato que faz companhia. Que tomba quando lhe fazemos festinhas. Que mia quando nos vê chegar. E que felizmente volta sempre.

Para mim são todos filhos. TODOS.
E quando voltarmos... temos que arranjar condições para os levarmos.

quinta-feira

Aqui...

Aqui as janelas têm grades.
Aqui não se bebe água da torneira.
Aqui a comida estraga-se por não haver luz... o gerador estar avariado... e o frigorifico parado uma noite inteira.
Aqui há o bicho da mosca. E a bitacaia.
Aqui há mais jipes do que carros.
Aqui bebe-se gasosa ao pequeno-almoço.
Aqui o pequeno-almoço chama-se mata bicho.
Aqui os taxis são Hiaces apinhadas de gente.
Aqui as pessoas usam os chinelos um tamanho abaixo com o calcanhar a tocar no chão.
Aqui as kinguilas atiram beijinhos para o ar para sabermos que são... kinguilas.
Aqui ir ao banco é uma aventura que tanto pode demorar 5 min como 2 horas para fazer exactamente a mesma coisa.
Aqui tratar um documento é uma aventura ainda maior, mas que nunca demora menos de 2 horas, de cada vez que temos que ir onde quer que seja.
Aqui carregar o telemóvel faz-se comprando saldo.
Aqui vende-se um pouco de tudo pelas ruas... no meio do transito.
Aqui sexta é dia do homem.
Aqui há poças de àgua parada. E o lixo tem moscas. 
Aqui os varredores de rua varrem tanto pó como lixo.
Aqui temos que dormir com mosquiteiros.
Aqui os domingos são dias cantados de manhã e mais silenciosos durante o resto do dia.
Aqui beber Redbull de manhã é uma coisa normal.
Aqui diz-se Ainda para dizer Ainda Não.
Aqui ter tanque e gerador são necessidades básicas.
Aqui as mulheres trocam de cabelo a toda a hora.
Aqui as fotos dos presidentes de Angola estão expostas em todo o lado.
Aqui o trânsito é o caos.
Aqui a frase "estamos sem sistema"  é das mais conhecidas nos estabelecimentos públicos e bancos.
Aqui faz-se o melhor feijão com óleo de palma e muamba de galinha.

terça-feira

Queria ter mais tempo para o Gui. Mais ainda.
Tenho saudades de sair e ir dar uma volta. Só ir... passear os cães por exemplo.
Admiro as donas de casa que fazem uma refeição diferente ao almoço e ao jantar.
O Gui já diz tanta coisa.
Tenho tido tempo para mim.
Já tenho todas as prendas de natal.
Nunca há os vegetais que quero para fazer a sopa dele.
Ando a cozinhar cada vez pior.
Hoje tentei ensinar à Celeste os dias da semana.
Não há gargalhadas melhores do que as que ele solta quando brinca com o pai.
Tenho saudades da minha avó.
A minha vida profissional é capaz de dar uma grande volta neste 2015.
Já não me sentia tão entusiasmada para um natal como neste ano.
Temos os dois carros a dar sinais de que vão parar a qualquer momento.
Estou cada vez mais apaixonada pelo homem que escolhi.
Ando calma.
Adoro fazer a minha lista diária de débitos e créditos emocionais.
A Amarela desapareceu...
O Gui brinca tanto com o Guddi.
Há semanas que não ligo às noticias.
Tenho duas grandes amigas grávidas.
Gostava de ter uma semana só para mim e para as minhas pessoinhas em Portugal.
O Gui foge do bacio. Mas puxa o rabo da cadela grande.
Quando ele está de banco espalho os brinquedos todos pela sala.
Vou fazer sonhos e rabanadas no nosso natal.
Ter o meu pai cá deu-me outro espírito.
Já definimos as férias para o próximo ano.
Ele puxa as bolas de natal mas com cuidado.
Não tenho saudades de trabalhar em Portugal.
Está calor.
E chove.

Estou bem...

quinta-feira

Os meus 33

Os meus 33.

Eram para ser passados em sossego. Com calma.

Era para ter levado o meu bebé ao parque. Aquele parque que precisa de uma logistica de segurança tão grande que tem que ser muito bem combinado.

Era para ter combinado um jantar com as minhas amigas do coração cá... e quem sabe até com as novas amizades.

Era para ter pintado com as tintas novas do Gui... com ele... com tudo sujo.

Era para ter curtido o dia.


Mas não... saiu tudo ao contrário...

Os meus 33 foram passados em stress. Porque o meu pai está com uma pneumonia. Porque a minha avó precisa de ir às urgências e não há uma alminha que a leve. Uma única pessoa. Porque a minha irmã está com uma crise de stress sem razão. Porque o carro está com problemas e não dá para sair de casa. Porque não há água. Porque o marido não consegue chegar antes das 17h.

E pronto! É isto.

Planos... vou desligar a net. E vou desligar o botão.
O bebé vai acordar da sesta e eu vou curti-lo. Em casa e sozinhos. E vai saber-me muito bem!

segunda-feira

O meu dia... até agora

8:50 - homem a fazer cocó no meio da rua na via principal em frente ao hospital Americo Boa Vida.

10:30 - homem a fazer xixi para o para-choques de um carro.

11:10 - mulher a conduzir uma moto a discutir com todo o mundo à volta, aos berros e de dedo em riste.

O meu dia está a ficar cada vez melhor.

domingo

Arranjar amigos em Luanda

Luanda é do tamanho de uma ervilha.
Talvez já não seja uma ervilha, mas de uma maçã é de certeza.
Tem não sei 6 milhões de habitantes mas só um grupo pequeno é que tem acesso a recursos e a luxos mínimos que fazem toda a diferença a nível social.
Esse grupo pequeno vai sempre aos mesmo sítios. Às mesmas praias. Aos mesmos restaurantes.
Issp reflete-se quando conhecemos gente nova pois acabam sempre por conhecer pessoas que já conhecemos e o facebook... o facebook é a comédia! É ir aos amigos em comum e perceber que... esta cidade é do tamanho de uma maçã!!!!

Isto tudo para dizer que no meio desta maçã, mais precisamente daquele tal grupo pequenino, é difícil encontrar pessoas que tenham a mesma frequência que nós.

Em portugal há tantos sítios que eu sei que aquele sítio tem "a minha gente". Aquela praia. Aquele restaurante. Aquele bar. Aquele centro comercial. Aquele parque... 
Em Portugal há muita gente!!!!! 

Os meus amigos dão-se com outros tantos amigos que são todos da mesma frequência.
Não estou a falar de betos, rosqueiros, dreads,... Não!
Estou a falar de frequência. 

Frequência minha gente.

Vocês sabem o que é estar num grupo de jovens e a conversa dominante ser as compras que se fez na baixa de NY e que aqueles sapatos da marca "x" estavam baratissimos "vê lá, 600 dolares!!!! Trouxe logo de duas cores!"???? Ou estarem num grupo que começa a beber champanhe às 10h? Ou num grupo que sai todos os fins de semana à noite até às tantas? Ou que o fim de semana normal seja ir passear no SEU barco e enchê-lo de pessoas para comerem e beberem o fim de semana inteiro?

A minha frequência?!

Eu gosto de pensar que são pessoas normais...

São mães que são realmente mães. Têm os dramas de mães. 

Já passei dias junto das babás enquanto todos socializavam porque... eu sou mãe. Tenho um bebé. É chato ter que andar sempre atrás dele, mas faz parte!

Pessoas normais que sabem dar valor ao dinheiro. Que sabem que ele custa a ganhar. Que não esbanjam à toa.

Pessoas que trabalham, e vivem o dia a dia da melhor forma que podem sem terem que provar  aos outros que são melhores ou têm mais.

Pessoas que trabalham e têm horários e responsabilidades...

Pessoas terra a terra.

Atenção!, não estou a criticar os outros. Cada um faz o que lhe apetece. Mas não me sinto na mesma frequência que eles.

Claro que foram anos nesta terra até encontrar essas pessoas. Essas pessoas com quem dá para estar à vontade, que têm as mesmas conversas, os mesmos problemas, a mesma dinâmica.

Mas este ano está a ser uma agradável surpresa :)

sábado

Como é que eu vou explicar ao cerebro desenvolvido e de primeiro mundo do meu filho que fica de 5 em 5 min a esticar-me o comando da tv para eu a ligar q n há tv porque n há luz?!...

segunda-feira

Quando a profissão destabiliza

Este ano muita coisa mudou. Uma delas: o trabalho dele.

E como mudou...

Já sabiamos que não ia ser fácil. Bancos de 24h. Dias "perdidos" em livros. Horas oferecidas à casa.

Ao principio fiquei com receio do tempo que ia passar sozinha. Pela insegurança. Pela solidão.

Mas felizmente 9 anos como filha única foram de uma aprendizagem intensiva de como ocupar o tempo! E o bebé lindo da minha vida é uma excelente companhia.

Já à noite... eu que sou  uma medrosa de primeira, complica um bocadinho mais. Mas hei-de me habituar.

O bom disto tudo?

As saudades dele...

domingo

A vida a dois... e a três ou mais

Acabei de ler o post de uma bloger que sigo há muito tempo, que não conheço pessoalmente nem trocamos muitos comentários mas de quem gosto muito. Pela escrita despreocupada e descontraída sem merdinhas e sobretudo por toda a sua dinâmica familiar gira gira gira e por vezes muito divertida.

Mas fiquei triste. Separou-se. Assim...

Tantas vezes pensei sobre como era gira a relação que ela tinha com o marido. Entre todos.

Ela levava - e leva -  a vida de mãe muito à vontade e de forma descontraída. Boa onda. Sem stresses.

Nunca mais me esqueço de estar a panicar a pensar que ainda estava aqui em Angola, de barrigão, e não tinha nada. Nada!!!! Nem um biberão. E ela lá me enviou um comentário a dizer para não stressar que bebé só precisa mesmo da mãe e do leite que está dentro da mãe. Tudo o resto não era imprescindível!

E pronto. Sem stresses!

...

Cá estou eu, intrometida, a pensar e a sentir tristeza por uma pessoa que não conheço. Mas é... sinto.

Porque é realmente difícil conseguirmos conciliar tudo. Mãe, esposa, profissional, amiga, mulher... tudo! E se as nossas avós conseguiam "na boa", eu defendo as últimas gerações, tão conhecidas pelos divórcios fáceis, que temos mais pressão. De todos os lados!

A vinda dos filhos é impulsionadora dos divórcios?

Acho que não é tão linear assim. Mas ajuda. As nossas hormonas ficam aos saltos. O cansaço é imenso. A vida de toda gente à nossa volta parece igual, só a nossa é que muda radicalmente. E depois a falta de tempo para nós!

Fico triste por saber que mais um casal não conseguiu superar as turbulencias do dia a dia. Um casal, que nesta minha visão distante e intrometida, me parecia fantástico e com uma dinâmica espectacular.

Mas depois penso que apesar de ter muitas vezes uma relação louca e nem sempre saudável, vamos ultrapassando todos os dias. Um por um. Conseguimos ultrapassar a distância. Feitios. Gostos diferentes. Um filho. Vidas profissionais loucas.

E aqui estamos.

Mais fortes do que nunca?

Não sei. Porque quando vêm as fases más parecem sempre ser "a pior de todas". Mas o que é certo é que embatem, podem fazer estragos... mas nós continuamos aqui.

Os dois.
Depois os três.
Quatro.
5. 6. 7. 8. 9. 10.
E já vamos numa família de 11.

8 quatro patas. Um bebé. E nós os dois...

sexta-feira

Tratar de assuntos em Luanda

É uma aventura.
AVENTURAAAAAA!

Pois que eu sou uma aventureira e hoje decidi tratar logo de três burocracias chatas que insistem em permanecer na minha TO DO LIST.

Primeiro:
Depositar um cheque e tentar perceber porque é que negam a transferência de dinheiro para a minha conta.

Coisa simples, certo?!
Errado!

Banco vazio, o que não é normal.
Depois de ficar 23 minutos contados minuciosamente à espera que o senhor depositasse o meu cheque (vocês sabem o que são 23 minutos a olhar para uma pessoa atrás de um balcão com o ar mais atarefado à face da terra enquanto deposita o meu único cheque?!?!?!) passei para o segundo assunto: a transferência que não deixam que aconteça.

E fazê-lo perceber o meu assunto?

Às vezes acho que não percebem pela pronuncia.

Expliquei, expliquei, expliquei...
"tem que marcar o NIB certo",
"mas marcam o NIB certo. Só que aparece uma mensagem a dizer que a conta referida não aceita transferências" , "é porque o NIB está errado"
... e andámos às voltas e voltas e voltas.

Daqui levei meio assunto resolvido e um papel com um IBAN em vez de um NIB.

Pode ser que resulte.

Segundo:
Tratar do seguro do carro.

E isto meus senhores, pensei que fosse o caos.
Papelada e burocracia até mais não, fila de espera de hoooooras e no final um "tem que ir ao banco depositar na nossa conta".

Pois enganei-me!

Tudo certinho. Aceitaram os documentos que eu tinha, multibanco disponivel, voilá!  em 35 min (também contados minuciosamente) tinha o seguro do carro na mão.

Happy happy!


Terceiro:
Tratar da minha carta de condução angolana.

Pois este terceiro já sabia que por maior boa vontade que tivesse do outro lado era impossivel.

Eu até arrisquei levar cartões, passaportes e carta... tenho sempre muita fé que o "mundo facilitado" chegue até aqui. Mas não.

Para além de formulários, fotocópias que seria de esperar e fotos tipo passe tenho toda uma lista de documentos a tratar. Daqueles que levam manhãs. Atestado criminal. De residencia. De certificação da carta (o que é isto?!?!?!?!), etc, etc, etc.

Fica para a semana.

Mas apesar de ter ficado com algumas coisas pendentes estou bem feliz por ter riscado alguns pontos da minha lista.

E é nestas alturas que acho que o smile das palminhas do skype devia existir em todo o lado!!!!!! (Não é, mana?!)

quarta-feira

"Nunca mudei nada lá em casa!"

Admiro aqueles pais que dizem que não mudaram nada em casa por causa do bebé.

...

........

Admiro merda nenhuma! Não vou ser hipócrita!

IRRITAM-ME solenemente os pais que dizem que não mudaram nada em casa.

Como é que é possível?!?!?!?!

"Ah, porque eu digo/dizia não e o bebé  obedecia!"

Pois caros amigos... eu digo não... digo não não não e não! E estou sempre em cima! E não sou das que diz não mas depois quando está cansada deixa fazer. Não! Eu digo não! E não é não! E ele pode chorar, berrar, atirar-se para trás, fazer beicinho ou pedir com carinho, que o não é não!

Ah, e também já tentei a técnica: em vez de dizer "não faz isso" dizer "vamos fazer outra coisa" - vai-se lá perceber que há senhores psicólogos que acham que as criancinhas não podem (ou não devem) ouvir muitas vezes a palavra "não"!. Mas é igual!

Por isso, como o meu filho não pára quieto, parte televisões, perfumes, arranca os fios atrás da televisão e só gosta da gaveta das facas, a minha casa é toda uma nave anti-desastres com bebés.

Ainda tenho sofás, mas se ele continuar a trepá-los da forma silenciosa como tem feito ultimamente acho que os vou tirar também! É que ele trepa-os e fica à espera que olhemos para ele. Quando olhamos ri-se com aquela cara traquina e atira-se cá para baixo.

ATIRA-SE!!!! De repente! À toa! Sem cuidado!

Por isso os sofás têm os dias contados...

segunda-feira

Estou viciada

"No sonho, idealizado nos nove meses de gestação, não havia som, a cozinha não estava permanentemente no cenário, a fralda trocada não tinha cheiro, o bebé não tinha a cabeça torta e a mãe e o pai estavam de banho tomado. Porque o nosso cérebro sonha limpinho e com recurso ao photoshop. (…) Então que me apercebi desta banalidade, que os filhos nascem e muitos dos pais entram em crise. (..) As tréguas são os cinco minutos a sós na casa-de-banho e até mesmo ir ao supermercado é válido para desanuviar.
Podemos culpar as novas identidades, a adaptação, o sono e o cansaço que geram tolerância zero, é tudo verdade. Mas cá para mim, desconfio que a razão principal é bastante mais quotidiana e menos profunda: o bicho papão do casal são as tarefas domésticas. Porque a vida conjugal pós-bebé é tarefeira que se farta. E ser mãe e pai é bom, muito bom. Tarefas à parte. No final, é como diz a frase do poeta: a vida é tudo o que acontece fora do planeado."

"Mas o Dedão d’Ouro vai mesmo para os indicadores, sem os quais tudo seria mais difícil. É que estas falanges carnudas são incansáveis: enfiam-se no bico da tetina do biberão para aniquilar qualquer pingo de leite vivo, entram narina adentro da Laura para soltar o macaco bandido que ela não consegue expulsar, apontam a migalha de pó onde a chucha poderá cair, espalham creme delicadamente como se quer num rabinho de bebé, afogam-se na água do banho a garantir que a temperatura está amena à sua pele tenrinha e limpam cera de orelhas, baba, lágrimas, ranho, cocó."

"Como todas as marcas, a Mãe® também aposta bastante em promoções - até mesmo antes do seu lançamento no mercado, numa estratégia de pré-adesão. Como há, literalmente, mais mulheres que homens, é fácil encontrar mulheres aspirantes a Mães, dispostas a dar um desconto a quem lhes faça um filho. Uma vez brindadas - e exaustas das noites por dormir - são capazes de acionar ofertas de última hora: “Bebé, se comeres a sopa toda, deixo-te ouvir o Tony Carreira enquanto desfazes o cão de pelúcia”. 
Mas o segredo para o seu grande sucesso, a razão da sua liderança inabalável, é este: não há cópia possível da marca Mãe®. Nem na China. Por isso, talvez seja a única marca no mundo inteiro que não vive da ameaça das marcas brancas à venda no mercado. Porque Mãe®, para o consumidor, há só uma."


Sofia Anjos. 
Jornalista do Público

Não tem blog nem tem livro. Um desperdício... 

domingo

Aprendizagens

O meu filho aprendeu a mexer - por mexer digo subir o volume e constantemente por na MTV - no comando da televisao!

sábado

São 8:38 e...

... o meu filho já partiu um brinquedo, atirou duas cadeiras ao chão, pôs a mesa de centro da sala na outra ponta e já conseguiu irritar todos os cães e o gato que em segundos desapareceram todos da minha vista.

Tudo isto em 45 minutos!

Vamos ver como corre o dia.

Gosto dos dias que fluem...

Não gosto dos dias em que o tempo passa a correr, nem dos dias em que estás de 5 em 5 minutos a olhar para o relógio para ver se já são horas de dar jantar, ou banho, ou deitar...

Do que eu gosto mesmo é dos dias que fluem. Em que de repente "oh! Já são horas de fazer o jantar?!". "Oh! Já são horas de tomar banho!". "Oh! Já adormeceu?!"

Ontem foi um dia assim. E soube-me tão bem...