quinta-feira

Os meus 33

Os meus 33.

Eram para ser passados em sossego. Com calma.

Era para ter levado o meu bebé ao parque. Aquele parque que precisa de uma logistica de segurança tão grande que tem que ser muito bem combinado.

Era para ter combinado um jantar com as minhas amigas do coração cá... e quem sabe até com as novas amizades.

Era para ter pintado com as tintas novas do Gui... com ele... com tudo sujo.

Era para ter curtido o dia.


Mas não... saiu tudo ao contrário...

Os meus 33 foram passados em stress. Porque o meu pai está com uma pneumonia. Porque a minha avó precisa de ir às urgências e não há uma alminha que a leve. Uma única pessoa. Porque a minha irmã está com uma crise de stress sem razão. Porque o carro está com problemas e não dá para sair de casa. Porque não há água. Porque o marido não consegue chegar antes das 17h.

E pronto! É isto.

Planos... vou desligar a net. E vou desligar o botão.
O bebé vai acordar da sesta e eu vou curti-lo. Em casa e sozinhos. E vai saber-me muito bem!

segunda-feira

O meu dia... até agora

8:50 - homem a fazer cocó no meio da rua na via principal em frente ao hospital Americo Boa Vida.

10:30 - homem a fazer xixi para o para-choques de um carro.

11:10 - mulher a conduzir uma moto a discutir com todo o mundo à volta, aos berros e de dedo em riste.

O meu dia está a ficar cada vez melhor.

domingo

Arranjar amigos em Luanda

Luanda é do tamanho de uma ervilha.
Talvez já não seja uma ervilha, mas de uma maçã é de certeza.
Tem não sei 6 milhões de habitantes mas só um grupo pequeno é que tem acesso a recursos e a luxos mínimos que fazem toda a diferença a nível social.
Esse grupo pequeno vai sempre aos mesmo sítios. Às mesmas praias. Aos mesmos restaurantes.
Issp reflete-se quando conhecemos gente nova pois acabam sempre por conhecer pessoas que já conhecemos e o facebook... o facebook é a comédia! É ir aos amigos em comum e perceber que... esta cidade é do tamanho de uma maçã!!!!

Isto tudo para dizer que no meio desta maçã, mais precisamente daquele tal grupo pequenino, é difícil encontrar pessoas que tenham a mesma frequência que nós.

Em portugal há tantos sítios que eu sei que aquele sítio tem "a minha gente". Aquela praia. Aquele restaurante. Aquele bar. Aquele centro comercial. Aquele parque... 
Em Portugal há muita gente!!!!! 

Os meus amigos dão-se com outros tantos amigos que são todos da mesma frequência.
Não estou a falar de betos, rosqueiros, dreads,... Não!
Estou a falar de frequência. 

Frequência minha gente.

Vocês sabem o que é estar num grupo de jovens e a conversa dominante ser as compras que se fez na baixa de NY e que aqueles sapatos da marca "x" estavam baratissimos "vê lá, 600 dolares!!!! Trouxe logo de duas cores!"???? Ou estarem num grupo que começa a beber champanhe às 10h? Ou num grupo que sai todos os fins de semana à noite até às tantas? Ou que o fim de semana normal seja ir passear no SEU barco e enchê-lo de pessoas para comerem e beberem o fim de semana inteiro?

A minha frequência?!

Eu gosto de pensar que são pessoas normais...

São mães que são realmente mães. Têm os dramas de mães. 

Já passei dias junto das babás enquanto todos socializavam porque... eu sou mãe. Tenho um bebé. É chato ter que andar sempre atrás dele, mas faz parte!

Pessoas normais que sabem dar valor ao dinheiro. Que sabem que ele custa a ganhar. Que não esbanjam à toa.

Pessoas que trabalham, e vivem o dia a dia da melhor forma que podem sem terem que provar  aos outros que são melhores ou têm mais.

Pessoas que trabalham e têm horários e responsabilidades...

Pessoas terra a terra.

Atenção!, não estou a criticar os outros. Cada um faz o que lhe apetece. Mas não me sinto na mesma frequência que eles.

Claro que foram anos nesta terra até encontrar essas pessoas. Essas pessoas com quem dá para estar à vontade, que têm as mesmas conversas, os mesmos problemas, a mesma dinâmica.

Mas este ano está a ser uma agradável surpresa :)

sábado

Como é que eu vou explicar ao cerebro desenvolvido e de primeiro mundo do meu filho que fica de 5 em 5 min a esticar-me o comando da tv para eu a ligar q n há tv porque n há luz?!...

segunda-feira

Quando a profissão destabiliza

Este ano muita coisa mudou. Uma delas: o trabalho dele.

E como mudou...

Já sabiamos que não ia ser fácil. Bancos de 24h. Dias "perdidos" em livros. Horas oferecidas à casa.

Ao principio fiquei com receio do tempo que ia passar sozinha. Pela insegurança. Pela solidão.

Mas felizmente 9 anos como filha única foram de uma aprendizagem intensiva de como ocupar o tempo! E o bebé lindo da minha vida é uma excelente companhia.

Já à noite... eu que sou  uma medrosa de primeira, complica um bocadinho mais. Mas hei-de me habituar.

O bom disto tudo?

As saudades dele...

domingo

A vida a dois... e a três ou mais

Acabei de ler o post de uma bloger que sigo há muito tempo, que não conheço pessoalmente nem trocamos muitos comentários mas de quem gosto muito. Pela escrita despreocupada e descontraída sem merdinhas e sobretudo por toda a sua dinâmica familiar gira gira gira e por vezes muito divertida.

Mas fiquei triste. Separou-se. Assim...

Tantas vezes pensei sobre como era gira a relação que ela tinha com o marido. Entre todos.

Ela levava - e leva -  a vida de mãe muito à vontade e de forma descontraída. Boa onda. Sem stresses.

Nunca mais me esqueço de estar a panicar a pensar que ainda estava aqui em Angola, de barrigão, e não tinha nada. Nada!!!! Nem um biberão. E ela lá me enviou um comentário a dizer para não stressar que bebé só precisa mesmo da mãe e do leite que está dentro da mãe. Tudo o resto não era imprescindível!

E pronto. Sem stresses!

...

Cá estou eu, intrometida, a pensar e a sentir tristeza por uma pessoa que não conheço. Mas é... sinto.

Porque é realmente difícil conseguirmos conciliar tudo. Mãe, esposa, profissional, amiga, mulher... tudo! E se as nossas avós conseguiam "na boa", eu defendo as últimas gerações, tão conhecidas pelos divórcios fáceis, que temos mais pressão. De todos os lados!

A vinda dos filhos é impulsionadora dos divórcios?

Acho que não é tão linear assim. Mas ajuda. As nossas hormonas ficam aos saltos. O cansaço é imenso. A vida de toda gente à nossa volta parece igual, só a nossa é que muda radicalmente. E depois a falta de tempo para nós!

Fico triste por saber que mais um casal não conseguiu superar as turbulencias do dia a dia. Um casal, que nesta minha visão distante e intrometida, me parecia fantástico e com uma dinâmica espectacular.

Mas depois penso que apesar de ter muitas vezes uma relação louca e nem sempre saudável, vamos ultrapassando todos os dias. Um por um. Conseguimos ultrapassar a distância. Feitios. Gostos diferentes. Um filho. Vidas profissionais loucas.

E aqui estamos.

Mais fortes do que nunca?

Não sei. Porque quando vêm as fases más parecem sempre ser "a pior de todas". Mas o que é certo é que embatem, podem fazer estragos... mas nós continuamos aqui.

Os dois.
Depois os três.
Quatro.
5. 6. 7. 8. 9. 10.
E já vamos numa família de 11.

8 quatro patas. Um bebé. E nós os dois...

sexta-feira

Tratar de assuntos em Luanda

É uma aventura.
AVENTURAAAAAA!

Pois que eu sou uma aventureira e hoje decidi tratar logo de três burocracias chatas que insistem em permanecer na minha TO DO LIST.

Primeiro:
Depositar um cheque e tentar perceber porque é que negam a transferência de dinheiro para a minha conta.

Coisa simples, certo?!
Errado!

Banco vazio, o que não é normal.
Depois de ficar 23 minutos contados minuciosamente à espera que o senhor depositasse o meu cheque (vocês sabem o que são 23 minutos a olhar para uma pessoa atrás de um balcão com o ar mais atarefado à face da terra enquanto deposita o meu único cheque?!?!?!) passei para o segundo assunto: a transferência que não deixam que aconteça.

E fazê-lo perceber o meu assunto?

Às vezes acho que não percebem pela pronuncia.

Expliquei, expliquei, expliquei...
"tem que marcar o NIB certo",
"mas marcam o NIB certo. Só que aparece uma mensagem a dizer que a conta referida não aceita transferências" , "é porque o NIB está errado"
... e andámos às voltas e voltas e voltas.

Daqui levei meio assunto resolvido e um papel com um IBAN em vez de um NIB.

Pode ser que resulte.

Segundo:
Tratar do seguro do carro.

E isto meus senhores, pensei que fosse o caos.
Papelada e burocracia até mais não, fila de espera de hoooooras e no final um "tem que ir ao banco depositar na nossa conta".

Pois enganei-me!

Tudo certinho. Aceitaram os documentos que eu tinha, multibanco disponivel, voilá!  em 35 min (também contados minuciosamente) tinha o seguro do carro na mão.

Happy happy!


Terceiro:
Tratar da minha carta de condução angolana.

Pois este terceiro já sabia que por maior boa vontade que tivesse do outro lado era impossivel.

Eu até arrisquei levar cartões, passaportes e carta... tenho sempre muita fé que o "mundo facilitado" chegue até aqui. Mas não.

Para além de formulários, fotocópias que seria de esperar e fotos tipo passe tenho toda uma lista de documentos a tratar. Daqueles que levam manhãs. Atestado criminal. De residencia. De certificação da carta (o que é isto?!?!?!?!), etc, etc, etc.

Fica para a semana.

Mas apesar de ter ficado com algumas coisas pendentes estou bem feliz por ter riscado alguns pontos da minha lista.

E é nestas alturas que acho que o smile das palminhas do skype devia existir em todo o lado!!!!!! (Não é, mana?!)

quarta-feira

"Nunca mudei nada lá em casa!"

Admiro aqueles pais que dizem que não mudaram nada em casa por causa do bebé.

...

........

Admiro merda nenhuma! Não vou ser hipócrita!

IRRITAM-ME solenemente os pais que dizem que não mudaram nada em casa.

Como é que é possível?!?!?!?!

"Ah, porque eu digo/dizia não e o bebé  obedecia!"

Pois caros amigos... eu digo não... digo não não não e não! E estou sempre em cima! E não sou das que diz não mas depois quando está cansada deixa fazer. Não! Eu digo não! E não é não! E ele pode chorar, berrar, atirar-se para trás, fazer beicinho ou pedir com carinho, que o não é não!

Ah, e também já tentei a técnica: em vez de dizer "não faz isso" dizer "vamos fazer outra coisa" - vai-se lá perceber que há senhores psicólogos que acham que as criancinhas não podem (ou não devem) ouvir muitas vezes a palavra "não"!. Mas é igual!

Por isso, como o meu filho não pára quieto, parte televisões, perfumes, arranca os fios atrás da televisão e só gosta da gaveta das facas, a minha casa é toda uma nave anti-desastres com bebés.

Ainda tenho sofás, mas se ele continuar a trepá-los da forma silenciosa como tem feito ultimamente acho que os vou tirar também! É que ele trepa-os e fica à espera que olhemos para ele. Quando olhamos ri-se com aquela cara traquina e atira-se cá para baixo.

ATIRA-SE!!!! De repente! À toa! Sem cuidado!

Por isso os sofás têm os dias contados...